Anacarolândia [relatos de uma fã]


Faz tempo que não venho aqui...

Vou pensar em algo construtivo para escrever, meus sentimentos confusos estão me enlouquecendo!!! Quero fugiiiir!!

Volto em breve.



Escrito por Angel[AC] às 12h27
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Funcionamento...

Eu funciono assim, não sei se você já percebeu. Consigo não te amar, e isso significa passar ótimos dias em paz, quando te trato bem, quando te amo. O que sobra em mim, o que eu guardo no peito, é sempre o negativo do que expeli para o mundo. Por isso o e-mail, carinhoso, um jeito de te expulsar mais uma vez, porque é só isso que sei fazer quando o assunto é sentir além de mim. E quando te trato mal, são dias te amando aqui, nos espaços vazios que você jamais preencheria e que são absolutamente você. O mundo todo que não tem você é ainda mais você. E assim me relaciono. Com o risco de giz branco em torno do corpo que já foi levado do chão. Sempre me apaixono depois que acaba a paixão. Sempre namoro quando acaba o namoro. Só assim sei amar. E então te carrego no peito e em tudo, ao ir sozinha ou mal acompanhada ao cinema. E então janto com você e como bem e até bebo. E passamos sem perceber uma vida inteira. Só porque agora você se foi, é que sinto que você chegou de verdade. E assim namoramos tão bem e sou tão agradável. E é com você que vou até a esquina e o fim do mundo, porque posso tudo agora. Agora que não posso nada.
Daqui vejo milhares de pessoas e boas intenções e motivos pra ser feliz. Mas onde eu estou? Adivinhe? Estou em casa, sozinha, como se não houvesse nada. Como se tudo isso fosse cruel justamente por ser bom. O bom acaba. Mas isso aqui, o refúgio da ansiedade e da alegria, essas duas coisas do demônio, isso aqui é verdadeiro e é daqui que estou, na verdade, no meio de todas essas pessoas boas e os motivos pra ser feliz. É só daqui. Então, quero ir embora. Ir embora pra chegar logo. Porque enquanto estou é insuportável, mas depois, quieta, deitada, o mundo inteiro se encaixa aos poucos até eu pegar no sono e sentir a matéria de estar viva. Não evaporo mais pois estou me apertando até ficar quieta nessa caixinha minúscula que trago tão bem guardada apesar do desespero em ser aberta.
É sempre na falta que vivo. É sempre em cima da altura que não tenho que olho o mundo. E das coisas que eu não sei que falo melhor. E dos sentimentos que eu não poderia sentir que me abasteço pra ser alguma coisa além do que me faz mais uma. E da incapacidade de ser mais uma que me agarro, pra poder participar de algo e esquecer como é maluco tudo isso. É na alegria extremada que sinto o tamanho do sofrimento que posso aturar.
É a loucura que sai antes quando preciso rapidamente ser normal. É porrada que dou quando a mão vai rápida para um carinho urgente. É de onde não se pode estar que tenho saudades. É para o lugar do qual fugi que vou quando corro. É no lugar insuportável que fico quando descanso de algo que não aguentei. É na falta que vivo. O tempo todo sendo a mulher pra você que nem você quer. O tempo todo sendo a mulher que você não vê mais e só por isso, agora, te vejo o tempo todo. É te amando tão infinitamente que me liberto de gostar pelo menos um pouco de você.
Quando preciso de açúcar sinto ânsia só de ver doce. E na hora de ir embora, ganho o viço e a frescura de algo novo. Não lido bem com a fome, pois ela me sacia, me enche, de algo que me faz além do bicho. É do meu auge que caio feio. Na paz de fechar um arquivo que volto a pensar na página em branco e em tudo que não sou capaz. No fundo do gostosinho da alma mora o que dispara meu incômodo mais terrível. Quando tento ser homem, meu Deus, sou mais garota do que aquelas colegiais cheirando a floral com bola de basquete. 
Mas não uso a palavra anular porque seria dar rabisco aberto para as asas que não quero desenhar.
O tempo todo o abismo gigantesco quanto mais desço. O tempo todo a calma mais incrível nos momentos de real desespero. E o pânico do que é simples de resolver. E se não tem ninguém pra chegar é aí que verdadeiramente espero. Você não está e me olha como nunca. Você merecia ser amado assim, do jeito que acaba pra começar. Uma covardia só pra quem aguenta firme. Sempre no oco me preencho tanto que explodo. É no nada que está tudo aqui. E quando me perguntam de onde vem essa pressa, esse desespero, essa corrida, o sopro no coração, essa ânsia, a força, essa agressividade. De onde vem? Eu digo que vem de uma preguiça enorme. E tantas artimanhas e rezas bravas para permanecer? É só o mais completo desejo em acabar logo com tudo isso. Que tanto eu quero porque estou sempre pedindo socorro? Nada. E principalmente: nunca. E morrer de novo como faço todas as vezes que me sinto viva demais. E vai começar tudo de novo só porque acabou. Ponto final é tanta continuação que vira três pontos finais. Eu não aguento mais e nem toquei na vida ainda. Consigo ser vista de verdade só quando as pernas e todo o resto que me move imploram para eu desaparecer.



Escrito por Angel[AC] às 18h22
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Pessoas...

Cadê o gosto intenso de fugir do mundo com um segredo fatal?
Não existem segredos fatais: todo mundo come todo mundo por caça e infelicidade.
Somos animais tristes e não seres loucos e apaixonados..

Sem mais.



Escrito por Angel[AC] às 12h50
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Return.

"Essa coisa mais forte que tudo e que me diz “se eu não obedecer, nem sobra força de amor pra amar, então que acabe”.
E então vem a merda toda.
Eu preciso correr pra ficar em pé, e então corro, e corro, e de pé estou.
E de pé, agora, olhando tudo.
Também não era isso!"

Nem sei como amadureci tão rápido, da certeza da impossibilidade.

 



Escrito por Angel[AC] às 08h23
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Silêncio

Disse pra mim. Nenhum pio. Não vou falar nada. Já que sou tão imprópria, inadequada, boba. Já que nunca basto e se tento me excedo. Já que não sei o que deveria ou exagero em querer saber o que não devo. Nunca entendo exatamente, nunca chego lá, nunca sou verdadeiramente aceita pela exigência propositalmente inalcançável. Meu riso incomoda. Meu choro mais ainda. Minha ajuda é pouca. Meu carinho é pena. Meu dengo é cobrança. Minha saudade é prisão. Minha preocupação chatice. Minha insegurança problema meu. Meu amor é demais. Minha agressividade insuportável. Meus elogios causam solidão. Minhas constatações boas matam o amor. As ruins matam o resto todo. Minhas críticas causam coisas terríveis. Minhas palavras cuidadas incomodam. Minhas palavras jogadas, mais ainda. Minhas opiniões sempre se alongam e cansam. Minhas histórias acabam sempre no egocentrismo. Meu sem fim dá logo vontade de encurtar. Minha construção, desconstrói. Meus soquinhos de frases são jovens demais. Meu bombardeio de coisas sempre acaba em guerra. Minha paz que viria depois nunca chega, pois eu nunca chego. Minha voz doce assusta. Minha voz brincalhona é ridícula. Minha voz séria alarde. Nenhum pio. Disse pra mim. Falar do que sinto é, na hora, desintegrar com seu olhar. Então fico me perguntando sobre o que deveria dizer, se só sei o que sinto. Devo sentir por personagens de livros, filmes, jornais e ruas? É assim que se diz sem ser o que não importa de verdade? E se for o contrário? Mas pra dizer do contrário, fica sempre no ar, é melhor não dizer. Se digo algo sobre minha vida, só sei falar de mim. Se digo algo sobre a vida dela, coitada de mim, achando que sei alguma coisa da vida. Se falo sobre a vida dos outros, que papo furado é esse? Se falo sobre coisas me sinto mais uma delas. Se provoco, eu que provoque sozinha porque ela não é trouxa de cair. Sobre livros, nunca são os que interessam. Sobre minha reportagem, nem quis ler. Meu trabalho nunca foi e nunca será da mulher dos sonhos. Meus sonhos evito falar, um medo de ser menina. Quieta. É assim que será. Se digo certo, isso logo acaba. Se digo certeiro, acabou. Se digo errado, nunca acaba. Se eu for mulher, mulher é um saco. Se eu for homem, homem pior ainda! Se eu for criança, fale com sua analista. Nenhum pio. Combinei comigo. Falar da gente pode? Pode, desde que, depois, eu tenha estrutura para ver toda uma massa desistente desabando sobre meu sofá pequeno. Nadinha. Não vou falar nada. Sobre dor não toca. Sobre prazer toca pouco. Nada. Porque toda vez que eu pergunto, quase ofende. E se respondo, ofende mais. E se exclamo, minha vontade de viver soterra. E se são três pontinhos, não posso. Se começo preciso terminar. Mas quando termino, ela já não está mais. Se repito, quase explode. Se digo uma, sou boa de ser guardada em algum lugar que nunca vejo. Se não explico, pareço louca. Se explico, sou louca. Quieta. Isso! Você consegue! Se for o que eu penso, eu penso errado. Se for o que eu não penso, errei por não pensar. Se não for nada disso, eu que pensasse antes. Nada. Não vou sussurrar. Nenhum som. Respiração muda. O silêncio absoluto. Olhando pra ela. Lembrando de quando ela me disse que é no silêncio que se sabe a verdade. E a verdade chega como um teto gigante que desaba numa cabecinha de vento. O que eu mais temia. O que eu não queria descobrir. Ela me diz. E o pior é que eu nem posso falar por ela. É tudo mentira.



Escrito por Angel[AC] às 08h52
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Eu vou por ai...

"Vai ver que é mesmo assim..."

Sempre que uma situação começa a ficar boa ou simplesmente começa, solto minhas frasezinhas bombas. Não sei se com isso quero realmente foder a minha vida ou me proteger de me foder. Acho que segundos antes de explodir tudo, penso assim: se eu falar a frase mais errada do mundo, só os realmente fortes sobreviverão. O que eu não percebo é que no começo de alguma coisa, ninguém ainda é realmente forte para agüentar minhas frasezinhas bombas. E todo mundo, sem exceção, acaba correndo assustado. E no dia seguinte eu acordo com aquele misto de vitória com tristeza. Sozinha novamente. Como se isso fosse um prêmio mas também uma doença.



Escrito por Angel[AC] às 21h16
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Vingança

"Sem seu território devidamente comprado, conquistado e fechado, que porra é você? De que serve seu mundinho tão específico num mundão misturado?"

Porque a vingança é um PRATO QUE SE COME FRIU!!!!

Não sei que bicho é. Não sei se é manso. Não sei. Só sei que estou evitando tudo. Evito beber, evito fumar, evito drogas e até evito te amar. Eu não posso mais perder o controle, entende? Não posso pois não sei o tamanho do meu bicho. Cansei da minha covardia em me contar um mundo que eu invento para viver melhor.  

Se implorar resolvesse, não me importaria. De joelhos, no milho, em espinhos, agachada, com o cofrinho aparecendo.
Uma loucura qualquer, se ajudasse, eu faria com o maior prazer. Do ridículo ao medo: pularia pelada de bungee jump.
Chorar, se desse resultado, eu acabaria com a seca de qualquer Estado, de qualquer espírito.

É uma pena correr com pulinhos enganados de felicidade e levar uma rasteira.

É triste respirar sem sentir aquele cheiro que invade e você não olha de lado, aquele cheiro que acalma a busca. Aquele cheiro que dá vontade de transar pro resto da vida.
É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz.
Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo este texto amargurado.
É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, esquecer, implorar.
É triste lembrar como eu ria com ela.
Mas amor, você sabe, amor não se pede. Amor se declara: sabe de uma coisa?
Foda-se.



Escrito por Angel[AC] às 09h32
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Forma...

Eram quatro da manhã e eu já sabia que não iria dormir mais.

Meu sono é interrompido de duas em duas horas por um pânico horrível que paralisa meus órgãos e só deixa viva a bile que toma todo o meu corpo e me faz querer vomitar até virar do avesso.

Abro as janelas porque preciso de ar, mas nunca tem ar para meu pulmão afogado.

Não adianta, não vou dormir mais. Mas vou fazer o que então?

Vou me levantar agora e ir para onde? Tomar banho? Tomar café? Só quero ficar deitada, mas ficar deitada também dói. O mundo não tem posição confortável pra mim, aonde vou, essa merda de dor horrível vai junto.

 

 



Escrito por Angel[AC] às 20h11
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Voei...

"Estale os dedos e olhe para o chão. Eu estarei ali, arrastada em possibilidades e forte em atração para subir até o andar para o qual você me der asas!"

 

Sigo pontuada por esses batimentos cardíacos que descem quando te vejo.
Poesia sem rima porque não somos bregas e a vida sem sentidos e sem encaixe é a loucura que une nossas doenças. Estrofes com métrica, porque sabemos exatamente o que queremos, apenas não rimamos para que não exista cumplicidade.
Uma história começada como a necessidade obscena e idiota de coçar o saco. E terminada pela saciedade obscena e idiota de o saco já ter sido coçado.
Tudo tão simples como expelir algo fisiológico. E eu me sentindo uma merda mesmo.
Uma redação com margem, tamanho e estilo impostos para você. Um diário sem limites para mim.
E você continua indo embora, e eu continuo ficando, vendo você levar partes de mim que antes eu nem sentia falta. E você continua escrevendo sua história pulando linhas, errando palavras, esquecendo os títulos. E eu continuo escrevendo seu nome com letras cheias, para tentar preencher você de alguma maneira. Pra tentar deixar tangível a sua existência. E principalmente pra poder amassar o papel e jogar no lixo.



Escrito por Angel[AC] às 20h47
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Deixo alegria e dor ao ir embora.

E assim vou seguir.

Reformulando meus conceitos...

Eu e o resto do mundo....

"Eu" não sabe o que sente, mas diz mesmo assim. O resto do mundo tem certeza do que sente, mas quando diz, fala pelo resto do mundo. "Eu" entende só de si, o que já é uma humanidade inteira. O resto do mundo entende de todo o resto, o que faz eu parecer uma criança de cinco anos se debatendo pra entender tanta vontade de chorar ou de ser feliz.
"Eu" e o resto do mundo desistiram de se amar em suas roupas rasgadas pela luta. Mas nus, "Eu" empresta do resto do mundo um silêncio que seu eu jamais lhe daria. Ter o resto do mundo dentro de si é a morte mais feliz. Ainda que doa e ainda que seja morte.
E o resto do mundo pára, quem diria. O mundo pára pra ver eu. O mundo pára para ver como "eu" sente e se explica sem fim. Sem "eu", o mundo é um lugar enorme, mas sem vida passeando em suas riquezas. "Eu" precisa do mundo para ser lido. E o resto do mundo precisa de "eu" para ser livro.
Depois "eu" volta a sentir tudo com uma solidão avassaladora. Depois o resto do mundo volta a rodar. A rodar e atropelar "eu". A rodar e trucidar "eu". "Eu" volta a martelar em si. O resto do mundo volta a somar todos os martelos do mundo para se sentir martelado. Cada um na sua despedida egoísta, vingativa e perdoável. Na sua vida a dois que não existe a não ser por essa intersecção, no ponto onde "eu" se esquece pra pertencer e o resto do mundo se encontra pra ser alguma coisa.
Não é inveja isso que nutrem um pelo outro. Nem ciúme. Nem ódio. Nem maldade. É absurdo. É só absurdo. Algo tão parecido com amor que confunde a vida.



Escrito por Angel[AC] às 13h11
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Agora eu vou viver...

It's over now...

Nunca me conformei com o fim de nada. Por mais que eu sentisse que era a hora. Por mais que eu quisesse ou precisasse me livrar das coisas. O "acabou" sempre chega ou chegou como se eu jamais tivesse parado pra pensar nele. Cruel, terrível e doloroso além de mim.
O último dia em qualquer coisa que tenha durado tempo suficiente pra me fazer dormir sorrindo com o dia seguinte. Um emprego, um curso, uma casa, uma viagem especial, um relacionamento. O ultimo dia do ano. Sempre tristes, sempre cheios de momentos em que eu preciso me isolar e ficar de um quase desespero catatônico. Uma vontade de sair correndo sem me mexer. Um pavor calmo e, pra quem nada entende de espasmos assustados, até sorridente. Abaixar e abrandar tudo em mim que ainda se debate pra continuar onde estava. Subindo loucos para a minha testa, todos eles. Mas quem são esses eles que sobem pra minha testa? Um mal estar em velar a vida que acabou pra poder continuar. Uma mistura caótica de enterro com nascimento, tipo se apaixonar.
Eu sumo. Desapareço. E começam as piadinhas "deixa, ela é assim mesmo". Uma coisa horrorosa me assusta e eu quero algo que não é nem a minha mãe e nem a minha cama e nem a minha casa. Ainda existe ir embora. Mas da onde? Eu sempre querendo ir embora. Mas pra onde? Quero um colo e um quente e um ombro que nunca conheci. Não é de mulher, de amor, de força. O que é isso? Um enjoado que não faz passar mal. Um frio que não precisa de agasalho. Uma necessidade absurda de ir para um lugar que eu nem imagino qual seja. Uma saudade de vida inteira como se eu já tivesse vivido. Uma coisa enorme e ao mesmo tempo concentrada naquela picadinha de inseto atrás do meu joelho que incha e incomoda do tamanho do mundo. Uma angústia que estremece até aqueles cantos da gente que a gente passa batido. Uma coisa de cantos e não de peitos. Mas que acaba com o oxigênio.
Sento sozinha onde a vista é mais bonita. Aperto meu celular. Pra quem eu quero ligar? Quem? Ninguém. Não é saudade de gente essa coisa. Não é coisa que passa de ouvir voz ou desejo ou coisas bonitas. Então passa com o quê? Não, deixa ela. Ela é assim mesmo. É "tipo" isso que ela faz? É e não é. É saudade da família, da mina, da Ana Carolina? Não, ela é assim. Escuto os outros e enquanto isso acontecer, não vai passar. Preciso me escutar. Mas não tenho nada pra me dizer. Só esse vão dos pensamentos. Só esse intervalo de motivos. Só a soneca merecida do carrasco que mora no centro da minha cabeça. Só o momento alienado das listas. Esse bueiro vazio embaixo da vida. Essa falha da linha embaixo do que se tem a dizer. Esse nada que caio, de vez em quando, e que também não tem nada pra me dizer a não ser que o mistério também faz parte. Assim que eu me sentir mais leve, simplesmente saio dele, sem nada concluir. Não dá pra forçar, levar um choque de voltar pra superfície. Só o que existe é enfrentar esse algo que jamais soa como algo a ser enfrentado, já que não é nada.
Coloca aí a sinfonia número 5 para eu chorar? Fico torcendo pra ter essa porque ela sempre explica, de alguma maneira, o fim das coisas. Não é de morte, mas é de morrer. Entende? Coloca? Ninguém tem isso aqui, tá louca? A gente vai colocar o Asa de águia. Oi? É. E eu mais uma vez me pergunto porque saio de São Paulo no dia que mais tenho pânico de todos os dias do ano. Mas se eu contar pra alguém, vão me mandar pra médicos e remédios e curandeiros. Como se tivesse solução pra ter nascido. Ninguém entende nada. Então só me afasto e aperto o celular. Não quero nada e nem ninguém. Aperto apenas pra lembrar que existe, ainda, uma lista de querer dentro de mim. Que uma hora volta. Daqui a pouco eu volto e tudo volta.
A virada do ano. Estamos todos morrendo! Quero correr pela praia. E gritar. Fodeu galeraaaaaa! Estamos todos morrendo! Acabou. Ta acabando. Vai acabar. E isso é...putz, e isso é tão lindo que eu queria poder, agora, amar demais tudo e todos. Amar daquele jeito perfeito que dura um segundo e não quer nada em troca. Amar com meu caminhão da Granero. Do jeito enorme e grosseiro e Zona Leste que sei. Mas não faço nada disso, apenas rebolo, como se eu fosse mais uma ovelha do rebanho feliz, ao som do Asa de águia. E é como se o diabo me filmasse para eu saber, pra sempre, o quanto me traio pra jamais sucumbir a minha estranheza. O quanto deixo de assustar os outros com a minha maluquice e me assusto com a maluquice dos outros em mim. Rebolo pra dar de presente ao mundo minha presença, ainda que nem eu possa senti-la nessas horas.
Acabou. O ano virou. Daqui a pouco, todos estarão tão bêbados que eu poderei ser estranha ou infeliz ou bizarra ou nula como bem entender. Talvez ir dormir, por exemplo. E poderei me libertar dessa obrigação pavorosa de estar feliz e simpática e emanando coisas boas. A ditadura da felicidade. Ano Novo é que nem o Rio de Janeiro. O Hugo Chávez da alegria. Eu quando fico estranha, quando tenho o "troço" que me dá, a última coisa que quero é um abraço. Agora imagina ficar estranha todo ano novo, a data dos abraços. Socorro.
Canto bem alto. Danço. Abraço os restos das pessoas espalhados pelos restos da festa. Agora é a minha vez. Enquanto todos acabam de comemorar o final do ano, começo a comemorar o final da comemoração de final de ano. Ufa! Acabou! Acabou o Natal e o ano novo! Ufa! Agora que não precisa ser feliz, posso ser feliz em paz. Agora que não precisa ter energia, esbanjo minha falta de limite. Quero correr pela praia. Estamos todos vivos. Galeraaaaaa estamos vivooooos! Ufa! Acabou! Acabooooou! É isso. Não sei ser feliz com os finais que chegam. Mas sempre dou um jeito de me divertir quando sou eu que, apesar de tudo, chego até o fim.



Escrito por Angel[AC] às 21h04
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Calma??!

Não posso me acalmar!
Pergunto-me o que há de errado comigo?

 


Tenho olhado no espelho por tanto tempo
Que cheguei a acreditar que minha alma está do outro lado
Oh, pequenos pedaços caindo, quebram-se
Pedaços de mim
Afiados demais para serem colocados de volta no lugar
Pequenos demais para terem importância
Mas grandes o suficiente para me cortar em tantos pequenos pedaços....


 



Escrito por Angel[AC] às 20h22
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E o início, deixar de ser início...

"Maybe tomorrow... I don't know how I'll feel..."

 

Mais um ano, e eu aqui denovo. Sei que era pra ficar dias sem aparecer, mas todo este turbilhão de emoções no final do ano não me deixaram em paz (ainda), e eu preciso soltar estas palavras que me sufocam, que prendem a minha respiração e ... Foda-se, eu tô aqui!

A vida é feita de ciclos, e quando um deles termina você tem que saber disso, porque senão, outros ciclos virão e você continuará parado. E cada ciclo nosso foi feito exatamente pra isso, para aprendermos que não importa o que te aconteça, o importante é que coisas acontecem, sejam elas boas ou ruins e que sofrer por coisas que já passaram não vão te levar a lugar nenhum.

E sabe o que é pior: Você vai deixar os ciclos da vida passarem enquanto pensa num ciclo que já se foi e só você não quer entender...

Pois é.. mas eu sou foda, uma idiota que não compreende as coisas como elas são. Larguei tudo oq pude no ano de 2008 e corri para a porta, essa porta que separa as coisas boas e meus tormentos de 2008 para 2009.. eu passei.. junto comigo as coisas que me fazem bem.. mas.. as outras coisas, aquelas que me fazem bem mas não posso carregá-las para 2009.. estão lá empurrando a porta com força.. e eu aqui do outro lado tentando fechar.. é uma briga constante... eu não sei até quando vou ter forças para segurar tudo do outro lado, só sei que pela fresta estas coisas tentam passar.. o burraco da fechadura tem uma chave que assim que eu conseguir vou trancar tudo do outro lado.. ou talvez estas coisas me tranquem pra fora e me enlouqueçam... não consigo mais achar um caminho pra descobrir oq está aqui dentro.. eu só quero que estas merdas me façam melhor durante esse ano. Porque 2008 foi realmente um ano bom.. tirando as complicações que cismam em aparecer durante todos os anos. Mas foda-se, esta porra de porta vai continuar ai e eu vou continuar aqui gritando, sangrando, empurrando, jogando tudo pro meio da rua e pra puta que o pariu. Só quero isso. Só preciso de ajustes.



Escrito por Angel[AC] às 17h39
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Adeus ano velho!

Eu já fechei todas as portas
Arquivos, gavetas
Eu já fechei todas as malas
As contas, os dias
Fechei os olhos, a boca
Fechei a cara, o corpo
Fechado no escuro do quarto
O início depois do fim
O que não cabe mais em mim...

Vamos la.

Último post de 2008. Porque amanhã quero distância deste blog, pelo menos por uns dias ai, vou pensar, refletir, sumir.. sei la.. sei la vai saber oq me deu quem sabe!!

Tenho a impressão de ter chegado ao topo de uma montanha, mas ela era muito alta e afastada e ninguém me viu.
Em vez de sucesso sinto segundos desejáveis de suicídio, vontade de pular lá de cima da montanha com o dedo desejando um último foda-se ao mundo.
Nem que seja para fazer barulho e sujar o chão dos equilibrados.
Nem que seja para fazer falta!!!

Enquanto arrumo minha mala para viajar percebo que tenho um novo mantra. Talvez algo aprendido pra trás ou uma espécie de filosofia pra frente. Ainda não sei se tem aí algo de mágico ou apenas um espírito brega de final de ano, daqueles bem otimistas e tal. 
Odeio ficar chateada, mas penso que as coisas são como são.
Tenho saudades. Uma chaminha de reter quer voltar. Um gelinho de doer quer voltar. Mas solto, deixo, vai, apago, derreto. As coisas são como são. Além do que, uma vida pela frente vai me dizer. Na hora certa.
E então meu I-pod toca Ana Carolina no último volume e eu me acabo de gritar e sentir a vida. Quem diria. Anos e anos ouvindo todas as namoradas me xingarem porque eu simplesmente odiava sentir e agora, do nada, esse amor, essa obsessão. Descobri. As coisas são como são. Na hora certa.
E então olho o meu "Grande Sertão" completamente riscado e eu obcecada pelas citações. E quem diria. Quem diria. Ontem mesmo, conversando com vários amigos, eles me disseram que eu não mais parecia comigo. Eu pareço eu sim, mas vou ganhando o mundo quando abro algumas brechas da minha prisão. E de brecha, vou me ganhando também. E quase vira o estômago mas sou tomada por uma fome boa que eu nem sei o nome. Talvez acreditar assim, sem medo, em algo descontrolado e de alguma forma justo, seja acreditar em Deus. Durmo em paz. Tudo na hora certa. As coisas são como são.
E quando recebo suas mensagens de texto, ao longe, dizendo meio que genericamente que deseja tudo de bom e sente saudade... Uma minúscula e ainda baixa "vozinha" me diz que além dos meus textos eu tenho também muitos charmes, graças e belezas. Além dos meus espinhos eu tenho também muitas flores. E que sim, eu posso ser amada. Porque não ter alguém agora, agarrado aos meus pés, não significa não ser um calo persistente até mesmo em solas curtidas e acostumadas com a corrida. Descubro coisas terríveis e maravilhosas a respeito do amor. As coisas são como são. E na hora certa.
Como diria Milan Kundera "o amor começa por uma metáfora. Ou melhor: o amor começa no instante em que uma mulher se inscreve com uma palavra em nossa memória poética". Como diria João Guimarães "o que é doideira às vezes pode ser a razão mais certa e de mais juízo". Como diria ou gritaria ou uivaria Robert Plant "Com apenas uma palavra ela consegue o que veio buscar.
 E ela está comprando uma escadaria para o paraíso". As coisas são como são. Na hora certa. E foda-se.

 

 

Bom final de ano para todos!!!!!!  

Bom início de 2009!

Janeiro promete muitas surpresas.. alias 2009 promete.. espero!!!

 

 

FELIZ ANO NOVOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!

 



Escrito por Angel[AC] às 21h30
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Sobre o tempo...

 "Quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele?

 

 O tempo andou riscando meu rosto com uma navalha fina sem raiva nem rancor; o tempo riscou meu rosto... com calma! (eu parei de lutar contra o tempo!   Ando exercendo instantes; - acho que ganhei presença).

 

Sabe quando você acorda e não sabe o que fazer com sua vida? Pois bem, ando acordando assim os últimos dias. Não sei mais que decisões tomar, qual caminho escolher, com quais pessoas andar, o que dizer, enfim, não sei mais de nada.

Parece até que nem sei mais quem sou. Às vezes faço coisas que nem eu mesma pensei que pudesse fazer, ou melhor, já pensei sim, mas nunca assumi. De tanto a gente imaginar mil coisas que podem acontecer ao nosso redor, acabamos não saindo do lugar, ficamos parados esperando que algo novo aconteça, quando na verdade nós que temos que ir atrás disso... Porque de tanto esperar, um dia você vai se cansar, e ai pode ser tarde demais. Muitas vezes nós desperdiçamos grandes oportunidades de mudarmos de vida, só que, de tanto bater na mesma tecla você não percebe as coisas que acontecem ao seu redor.

Quantas vezes você já se submeteu a certas situações por simples comodismo? Quantas pessoas deixamos de conhecer? Quantos lugares deixamos de ir? Quantas oportunidades que deixamos passar em branco? Quantos amores não amados? E tudo isso, por quê? Alguém por gentileza sabe me dizer?! O que aconteceu comigo e com todos? Acho que o mundo anda muito complicado para mim.

E na verdade, acredito que no fundo eu sei muito bem qual caminho escolher, com quais pessoas andar, o que dizer e um pouco de quem sou, só que agora, como dizia Clarice Lispector "Eu não: quero é uma realidade inventada".



Escrito por Angel[AC] às 18h53
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